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O Site Televidere agradece a todos que, desde 2003, acessaram e leram as análises aqui postadas. Fica a recomendação: acessem www.spetaculos.com.br, o site da Dramaturgia da Internet.


Leandro Barbieri//
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16 de abril de 2007 15:34


O QUE SERÁ DE SÔNIA ABRÃO SEM O BBB?

Domingo. 8 de abril. Caderno "TV e Lazer" do Estadão. Destaque para a carta de um leitor preocupado com a apresentadora Sônia Abrão. Sarcástico, ele falava sobre a crise de abstinência que a apresentadora sofreria com o final do Big Brother Brasil 7.

Foram três meses. Todo dia. Horas ao dia. Ao vivo, Sônia, psicólogos e um tal PA (longínquo participante do BBB) comentavam e anunciavam os mais importantes movimentos da casa do Projac. E os menos importantes também. Diego, o herói da "trama", endeusado. Alberto, o editado como pérfido vilão, odiado. E viva o maniqueísmo dos programas de fofoca!

Há algumas semanas da grande final, Sônia Abrão anunciou que conversaria pelo telefone com uns amigos e parentes do participante Alberto. Feito o suspense, começou o diálogo. E a briga. Os supostos parentes atacaram a apresentadora, acusando-a de ter tendenciado o público a torcer contra o rapaz. Sônia, revoltada, soltou frases agressivas e arrogantes. Gritou que o programa era seu e que ali quem dava as regras era ela.

Nessa alturas, creio eu, a audiência explodia. No auge do barraco, o diretor revelou a "pegadinha". Sônia estava sendo enganada por atores. Muitos risos. Ah, esses produtores. Me enrolaram direitinho. Na TV, eles se divertiam. E eu, na sala, com uma luz neon na testa piscando: Otário! Otário! Otário!

Quando liguei a TV, a discussão já havia começado. Se tivesse desligado antes do fim, estaria hoje pensando que os amigos e familiares de Alberto são péssimos exemplos de educação. Belíssima piada.

Momentos antes de finalizar esta coluna, quinze dias depois do final do BBB, decidi conferir a quantas anda a pauta do programa de Sônia. "Xuxa ficou chocada com incêndio em seu programa". Subtema de: "Depressão: famosos que têm ou sofrem com esse problema!". Falou-se do fim da carreira de Lídia Brondi e dos percalços familiares do apresentador Carlos Massa. Polêmicas requentadas. Sensacionalismo disfarçado de prestação de serviços.

Falta assunto. Falta qualidade. Falta informação. Falta opção. E sobram telespectadores cada vez mais desprovidos de visão crítica.

Aguarde, dia 30 um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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29 de março de 2007 04:23


SUZANA VIEIRA E OS EXCESSOS NA MÍDIA

Foi amplamente divulgada a participação de Suzana Vieira em Paraíso Tropical, atual novela das oito. E a propaganda não foi nada enganosa. Estreada a novela, lá estava Suzana. Mas nada de personagem.

Suzana Vieira é a mais recente atriz que virou diva. A exemplo de Vera Fischer, Deborah Secco, Luana Piovani, Carolina Dieckmann e tantas outras estrelas globais, a veterana esqueceu sua verve artística e rendeu-se aos escândalos de revista.

Durante a pré produção de Paraíso Tropical, Suzana Vieira deitou e rolou. Foi traída pelo marido, o perdoou durante a farra do carnaval, dançou sensualmente na frente das câmeras e deu diversas declarações de liberdade e juventude. Se estivesse focada exclusivamente no trabalho, não teria sido notícia. Mas também não teria caído no ridículo.

A idéia de ser uma figura polêmica, cuja vida é abastecida por fotografias e reportagens invasivas, transcende o profissional de algumas atrizes. Pouco importa o papel na novela, o projeto no teatro ou a realização no cinema. O que vale é a tatuagem com o nome do namorado famoso.

Triste ver a mídia destacando excessos e ignorando talentos. Mais triste ainda é ver talentos sucumbindo à mídia. Conseqüência de um mercado cada vez menos preocupado com a qualidade de seus artistas.

Aguarde, dia 11 de abril um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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29 de março de 2007 04:17


REFLEXÃO SOBRE NOVOS ATORES

Tenho acompanhado o surgimento de uma nova safra de atores. Jovens de muito talento que se arriscam conscientes em uma carreira cheia de percalços e incertezas. Há decepções, claro. Quase que diárias. Mas eles não desistem.

Um em cada dez jovens que procuram uma escola de teatro é de fato ator. Os outros querem trabalhar na Globo. Querem fama. E, se julgando intuitivos, desprezam o estudo. Estudo. Segredo de qualquer bom profissional. Vital àquele que empresta seu corpo a outra pessoa, a um papel.

Os jovens atores que apontei no início deste texto vão além do estudo. Aplicam. Lêem. Pesquisam e jogam em cena. Seja diante de uma câmera, de uma platéia ou de um espelho. Praticam. Desenvolvem seus próprios métodos e concepções.

Observando este grupo me inspirei a escrever este que talvez seja o primeiro texto subjetivo do Televidere. Comparar o nascimento desses profissionais com as sofríveis performances que têm poluído o horário nobre da nossa TV é um bom exercício. Um exercício que nos faz questionar a banalização da arte cênica no Brasil, país que aplaudiu Cacilda Becker, Marília Pêra e Paulo Gracindo e que hoje venera lindas e inexpressivas modelos.

Já ouvi dizer que qualquer um pode ser ator. Sendo assim, qualquer um pode também ser médico. No primeiro caso não estaria na platéia. No segundo, não deitaria na maca.

Leandro Barbieri//
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6 de fevereiro de 2007 22:22


A NOVA VISITA DA VELHA SENHORA

Não faz muito tempo ela estava ali. Ditando tendências. Inventando regras. Brincando de impor limites em nome de pseudo-ideologias.

Ela se foi. Levada por uma onda democrática que pintou o país (e a cara dos estudantes) de verde e amarelo. Respiraram. Experimentaram. Ousaram. E muitos exageraram. Foi o suficiente para que, vestida de defensora da ética, ela ensaiasse uma volta.

Impressionante a quantidade de intelectualóides (termo utilizado por Janete Clair para definir toupeiras infiltradas na academia) que levantam a voz para defendê-la. Lutam por novas leis que, no frigir dos ovos, não passam de releituras da velha e triste "defesa da moral e dos bons costumes".

Discutem portarias, condutas éticas, proibições. Erotização infantil não é culpa de mães ensandecidas. É culpa dos programas de auditório. O culto a baixaria não é conseqüência do lastimável sistema educacional país. É conduta da Rede TV!. Violência não é reação da (ausência de) política social. É idéia plantada pelos telejornais.

Parece mentira. Mas ela pode voltar. E com tudo...

Aguarde, dia 20 um novo post no Televidere que, esta semana, completa quatro anos e agradece as visitas quinzenais

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6 de fevereiro de 2007 22:12


PÁGINAS DA VIDA: "VOU TE CONTAR..."

Atores e telespectadores estão reclamando dos rumos que Páginas da Vida está tomando. O autor, Manoel Carlos, se defende. Segundo ele, sua novela promove uma circulação de núcleos, deixando ora algumas personagens em evidência, ora outras.

O problema de Páginas da Vida não é o estilo do roteiro. Modelo semelhante foi muito bem empregado em Mulheres Apaixonadas, também de Maneco. A questão é que os núcleos em evidência não se preenchem.

Esperamos capítulos e mais capítulos para que Renata Sorrah crescesse com sua Teresa. O seqüestro de seu filho, Luciano, era a deixa para a série de acontecimentos que revolucionariam seu casamento, sua carreira e suas relações. O anti-climax foi violento. Nestor (Zé Carlos Machado), o esposo-vilão, mal se revelou e já morreu baleado. O menino foi salvo e o marasmo do núcleo reestruturou-se em menos de dez capítulos.

Dentre os figurantes de luxo, Márcia (Helena Ranaldi) é a mais lamentável. Parece que a morte de Gustavo (Antônio Calonni), que a deixou viúva no início da trama, esvaziou seu papel. Márcia só perde para o insosso Leandro (Tato Gabus), talvez a mais inútil personagem da teledramaturgia brasileira.

E temos as protagonistas. A chatíssima Olívia (Ana Paula Arósio), a mal explicada Tônia (Sônia Braga) e a ridícula Helena (Regina Duarte).

Ridícula é a palavra. Vide a cena em que a médica encontrou a lápide da própria filha no cemitério. A canastrice de Regina deixou o público envergonhado. Envergonhado por ela. E pela direção de elenco que ainda não captou a naturalidade do texto.

O contraponto desta triste performance é Lília Cabral. Experiente, a atriz consegue desviar dos equívocos da direção e manter o charme de suas falas. Aplausos!

Que a trama é envolvente, não se discute. Acompanhar o dia-a-dia de cem pessoas é no mínimo combustível para qualquer curioso. O que falta é dramaturgia. Conflito. Até o Big Brother está mais dramático.

Resta saber como Manoel Carlos se encaminhará para os capítulos derradeiros. Difícil prever as últimas emoções de uma novela nada emocionante. Como diria o acorde que encerra cada capítulo, "vou te contar..."

- A postagem deste texto foi atrasada por problemas técnicos -

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02 de janeiro de 2007 15:25


JANEIRO - DE AMAZÔNIA A BIG BROTHER

Não faz muito tempo. Janeiro era o mês do marasmo na TV Globo. Reprises, "especiais de verão" e seriados sem propósito invadiam a emissora até abril, mês das estréias. Mas a coisa mudou. Janeiro ganhou movimento. Minisséries, séries de sucesso e Big Brother. Tudo ao mesmo tempo.

Na primeira semana do ano, Amazônia, minissérie de Glória Perez. Logo depois da novela das oito. Na segunda semana, Big Brother Brasil 7. Logo depois da novela das oito. E lá pela terceira semana, a volta do futebol. Entre o BBB e a minissérie. E o seriado 24 Horas, que estreou no dia 1º, vai lá pra madrugada.

Curioso esse acúmulo de programação. Não só pelos horários avançados, mas pela escassez de boas estréias no restante do ano, quando ficamos entregues a atrações lamentáveis como A Diarista e Sob Nova Direção.

A responsabilidade da Globo é grande. Não é uma questão de oferecer boas opções. Ela é praticamente a única opção. A Record ainda engatinha na dramaturgia, a Band idem. E o SBT acabou. Quem não quiser ver a minissérie de Glória Perez e a baderna das novas peseudo-celebridades do BBB sofre no controle-remoto. Ou apela para a TV a cabo e suas maçantes reapresentações cinematográficas.

O jeito é dormir menos e aproveitar o início do ano. Porque depois de abril, é Paraíso Tropical e cama.

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20 de dezembro de 2006 05:00


RETROSPECTIVA 2006

Pode-se dizer que 2006 foi um ano agitado na teledramaturgia brasileira. Band, Record e SBT investiram pesado no ramo das telenovelas. E o resultado foi um saudável aumento de opções para o público.

Dentre as boas, Lauro César Muniz e sua Cidadão Brasileiro. Dentre as péssimas, a mexicana Cristal do sempre Sílvio Santos.

Enquanto alguns se lançavam, a Globo se perdia. 2006 foi um ano de poucos méritos para a saudosa Vênus Platinada. Novelas arrastadas como Páginas da Vida e espalhafatosas como Cobras e Lagartos decepcionaram. O ano Global só valeu no que é tradicional: o romantismo de Sinhá Moça e o humor inteligente de Pé na Jaca.

A seguir, a lista das novelas lançadas em 2006 e suas respectivas datas de estréia. Repare na proximidade das datas da Record com as da Globo. Estratégia. Coisas de TV...

JK (Minissérie) - 3 de janeiro
Floribella (Segunda Temporada) - 23 de janeiro
Sinhá Moça - 13 de março
Cidadão Brasileiro - 13 de março
Cobras e Lagartos - 24 de abril
Cristal - 5 de junho
Páginas da Vida - 10 de julho
Bicho do Mato - 18 de julho
Alô Alô Mulheres (novela da Internet) - 30 de agosto
O Profeta - 16 de outubro
Alta Estação - 17 de outubro
Paixões Proibidas - 14 de novembro
Pé na Jaca - 20 de novembro
Vidas Opostas - 21 de novembro

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6 de dezembro de 2006 01:05


A ESTRÉIA DE PÉ NA JACA

Foi seguindo os moldes de Cassiano Gabus Mendes e Silvio de Abreu que Carlos Lombardi encontrou seu estilo: novelas ágeis, muitas externas, perseguições e boas doses de humor. Assim é Pé na Jaca, o mais novo texto do autor.

A acidez dos diálogos, principal característica de Lombardi, cresce com a força do elenco. Destaque para os hilários Murilo Benício e Bruno Garcia.

Marcos Pasquim está de volta na pele do herói garanhão, arquétipo característico de Lombardi. Criado para o ator, Lance sustenta o lado aventureiro de Pé na Jaca e faz lembrar Lênin, personagem de Humberto Martins em Viralata (1996). Aliás, não é só em Lance que o autor revisita suas obras. A personagem de Murilo Benício é uma versão moderna de Tonico Ladeira, Tony Ramos em Bebê a Bordo (1988).

Flávia Alessandra surpreende. A atriz entrou no tom e conseguiu corresponder ao talento de Benício. O mesmo não aconteceu com Débora Secco e Juliana Paes. As meninas não decepcionam, mas dificilmente passam da média.

Dentre os veteranos, Fúlvio Stefanini merece atenção. Na pele do milionário Último (uma das mais bem batizadas personagens da teledramaturgia), Fúlvio revela um humor diferente do que faz na reapresentação de Chocolate com Pimenta.

Fernanda Lima, um dos fiascos de Bang Bang (2005), estudou nas férias. Mesmo fatalmente aquém de Beth Lago, Fernanda consegue segurar seu texto e até arranca alguns risos do público. Melhora considerável.

Uma comédia romântica, como convém ao horário. Se não for sucesso, será pelo menos um divertido passatempo.

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22 de novembro de 2006 20:45


O FINAL DE COBRAS E LAGARTOS

Cobras e Lagartos exibiu na última semana seu capítulo derradeiro. A trama de João Emanuel Carneiro acabou com 44 pontos de audiência e clima de sucesso.

Duas novelas em um mesmo produto. De um lado, humor inteligente e personagens bem construídos. De outro, gritaria e estereótipos. O caos veio da relação entre direção e texto. A tônica do diretor Wolf Maya transbordou as sutilezas de Carneiro, exaltando os detalhes e engolindo os conflitos.

A família de Foguinho (Lázaro Ramos) é um exemplo. Muita gente. Muitas vozes. Muitas informações. E as tiradas se perderam na bagunça. Quem riu, riu do contexto, não das cenas. E o contexto, por si só, não sustentou oito meses.

Como espelho do simbólico Macunaíma, Foguinho foi memorável. Lázaro Ramos encontrou o tom exato para o anti-herói que fugiu da mesmice dos outros núcleos. Um sopro de inovação que modernizou o conceito de protagonista. Defeitos, humanidade e reflexão.

Tal revolução só foi possível porque o excesso de romantismo estava canalizado em Duda, o herói sem sal de Daniel Oliveira. Ao lado de Mariana Ximenes, Bel, o menino não teve oportunidade desenvolver seu já conhecido talento. Culpa dos clichês.

Taís Araújo, Ellen, equilibrou-se muito bem. Os altos e baixos da personagem, que várias vezes mudou de rumo sem verosimilhança alguma, não impediram a atriz de brilhar. E de ofuscar a linear Carolina Dieckmann. Esta não conseguiu chamar mais atenção que seu figurino. Inesquecíveis botas...

Mas justiça seja feita. Carolina não foi de todo mal se comparada a Henri Casteli. Este, definitivamente, não está preparado para um vilão.

Marília Pêra, sempre formidável, defendeu uma personagem oca. Milú ficou à deriva entre o cômico e o satírico. E teve um desfecho muito mais para o ridículo que para o engraçado. A velha história de se valer de um drama pessoal para vencer na política.

Cobras e Lagartos comprova. O público quer romantismo. Quer jogo de poder. Quer maldades. E quer humor. Foi nesta compreensão que João Emanuel Carneiro reconquistou o ausente público das sete. Inovando e repetindo, dosando e exagerando, acertando e errando... No paradoxo que o título sugeria.

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06 de novembro de 2006 09:06


PARANORMALIDADE E VIDA APÓS A MORTE

De tempos em tempos o misticismo vem à tona na teledramaturgia. Paranormalidade e vida após a morte são temas de quatro telenovelas atualmente.

O Profeta conta o dilema do vidente Marcos (Thiago Fragoso), jovem dividido entre a pureza e a ambição. Original de Ivani Ribeiro, a novela das seis é conduzida com romantismo e fantasia.

Páginas da Vida, novela das oito, trouxe de volta a falecida Nanda (Fernanda Vasconcelos). O espírito da mãe de Francisco e Clara há alguns capítulos vem interferindo no destino das personagens de Manoel Carlos. Só não interfere mais que a intrometida Olívia (Ana Paula Arósio).

No besteirol-policial Cobras e Lagartos o morto-vivo é Francisco Cuoco. O espírito do milionário Omar Pasquim alavancou a audiência ao aparecer para o anti-herói Foguinho (Lázaro Ramos).

Até a web-dramaturgia se rendeu ao outro mundo. Através do kardecista Osmar (Manoel Lima), espíritos mandam notícias aos internatutas que acompanham a novela Alô Alô Mulheres (www.aloalomulheres.com.br) .

O sucesso desta temática é mais que evidente. Vide o fenômeno A Viagem, novela de Ivani Ribeiro que teve seu remake apresentado três vezes nos últimos doze anos. E o segredo desta empatia está na coerência. Na lógica dos autores que permitem este tipo de manifestação nos universos que constróem. O telespectador sente quando a história está "forçando a barra" e se afasta. Daí o tato com que a supra-realidade deve ser tratada.

Agora, se a trama deixa a desejar não adianta apelar para o outro mundo. O jeito é apressar o ponto final e esperar a próxima novela baixar.

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23 de outubro de 2006 03:17


AS CARAS E BOCAS DE HELENA

É difícil definir o estilo de interpretação que Regina Duarte está aplicando em Páginas da Vida. A protagonista Helena, teoricamente realista, mescla a caricatura da Viúva Porcina com as estrepolias de um Arlequim, a expansividade dos palcos com as caretas do Zorra Total, a voz histérica com os rebuscados olhares da namoradinha do Brasil.

O parágrafo acima descreve o equívoco da veterana na atual novela das oito. Equívoco este que decepciona uma legião de fãs que aguardava ansiosa pela terceira parceria de Regina Duarte com o autor Manoel Carlos (ela foi Helena em História de Amor-1995 e Por Amor- 1997).

É fato. Diversos atores de Páginas da Vida estão se excedendo. È traço da direção de Jayme Monjardim ultrapassar os limites da interpretação para TV. Que o diga Ana Paula Arósio. Mas o caso de Regina vai além da linguagem. Helena é mais que exagerada. É eufórica.

Nesta hiperbólica composição quem sai perdendo é Joana Morcazel, atriz mirim que vive a pequena Clara, filha da protagonista. Falta química entre as duas e, em determinadas cenas, Regina parece tensa, desconfortável.

Há questão de duas semanas, o final de uma cena entre Regina e Joana chamou a atenção do telespectador mais atento. Enquanto a menina fazia um discurso evidentemente espontâneo, a atriz levantava os olhos com impaciência. Talvez aborrecida com o inesperado prolongamento da ação. Conseqüência da falta de afinidade.

As caras e bocas de Helena nos faz lembrar Andréia, criticadíssima personagem de Regina Duarte em Desejos de Mulher (2002). Na época foi levantada a hipótese de que a atriz se perdia por utilizar ponto-eletrônico ao invés de decorar suas falas. O boato não foi confirmado.

O lamentável desempenho da ex-namoradinha do Brasil em Páginas da Vida nos faz ter saudade dos bons tempos da Raquel de Vale Tudo (1988), da Cecília de Carinhoso (1973), da Simone de Selva de Pedra (1972) e de tantos outros memoráveis papéis da elogiada intérprete de Porcina (Roque Santeiro- 1985).

Equívoco, erro, exagero. Fica registrada a crítica. Não só a do pesquisador. Mas também a do telespectador irritado.

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9 de outubro de 2006 22:07


O PROFETA MODERNO

Regravar Ivani Ribeiro é tradição na teledramaturgia da Globo. Das sete novelas que a autora escreveu para a emissora, a única inédita foi Final Feliz (1983). As demais eram versões ou adaptações de antigos sucessos da Excelsior e da Tupi.

Na próxima segunda Ivani Ribeiro estará de volta. E em mais um remake. Adaptada por Thelma Guedes e Duca Rachid, O Profeta revisará a história que abalou a audiência da Globo em 1977.

A versão 2006 é supervisionada por Walcyr Carrasco que, no embalo de seu último sucesso (Alma Gêmea), transpôs o enredo original para a década de 50.

Para Walcyr, o misticismo encontra na década de ouro seu melhor contexto. Ele está certo. Mas esquece de observar que é também nesta época que as obras de Ivani melhor se encaixam.

Ivani Ribeiro perdia-se no conservadorismo. Alguns de seus conflitos, no panorama moderno, já não aconteciam. Peguemos como exemplo A Viagem (1994), reapresentada este ano no Vale a Pena Ver de Novo. O conflito de Carmem (Susy Rego) partia de Mauro (Eduardo Galvão), um homem que a envolveu e desapareceu sem assumir compromisso. A moça, revoltada com a desonra sofrida, passou boa parte da trama perseguindo o canalha. Situação parecida aconteceu com Ruth (Glória Pires) no remake de Mulheres de Areia (1993).

Sem falsos moralismos, o homem que se sai com uma mulher sem assumir compromisso já não é mais símbolo de vilania. O conflito é oco, fantasioso.

Tendo os anos 50 como pano de fundo, estes lapsos tornam-se naturais. Caracterizam o universo das personagens e, principalmente, justificam os moralismos da autora.

O elenco parece bem escalado. Thiago Fragoso, Paola Oliveira e Fernanda Souza são expoentes da novíssima geração de atores que merecem boas oportunidades. O erro pode estar em Carol Castro. Até Bang Bang, sua última novela, a menina demonstrava sérios problemas de intimidade com a câmera. Dentre os veteranos, Laura Cardoso e Mauro Mendonça prometem boas cenas.

Da direção não esperemos muito. O responsável, Roberto Talma, há tempos não surpreende. Mas sabe fazer o trivial, o que por hora basta.

Como é de costume, os autores da nova versão insistem em dizer que não estão produzindo um remake, mas um texto inspirado no original. Contrapartida, a Globo anuncia O Profeta como uma obra de Ivani Ribeiro.

Seja o que for, o importante é que saia uma boa novela. De preferência uma que valha a pena ver de novo.

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25 de setembro de 2006 10:24


MERCHANDISING CULTURAL

Popularizado na década de 90, o Merchandising Social já é praxe nas novelas da Globo. São raros os autores que não lançam mão de pelo menos uma discussão engajada para incrementar suas obras. Se por um lado prestação de serviços, por outro uma excelente forma de lustrar a imagem da emissora.

E outro tipo de Merchandising está surgindo. É o Merchandising Cultural, desenvolvido por Manoel Carlos em Páginas da Vida, atual trama das oito. Indicações literárias, peças comentadas, e o público vai absorvendo a vida cultural do Rio de Janeiro.

A principal característica do Merchandising Cultural é a ausência de interesses comerciais. O MC não deve ser confundido, por exemplo, com as divulgações da Globo Filmes (é óbvio que os investimentos da empresa serão expostos nas novelas, maiores janelas do grupo). MC é Manoel Carlos citar títulos de sua videoteca particular através de Marta (Lília Cabral) e Tide (Tarcísio Meira). MC é gravar nos principais museus da Holanda e comentar os 400 anos de Rembrandt. MC é centrar a novela em uma casa de cultura com bailarinas, pianistas, pintores e professores de teatro.

É justamente neste cenário, a casa de cultura, que está o maior trunfo do autor. Semana passada, por exemplo, o telespectador pôde acompanhar uma autêntica aula de teatro ministrada por Lígia Cortes. Isso depois de ouvir a personagem de Louise Cardoso explicar a nudez artística.

A tendência é que o foco se amplie. Tônia Verneck, personagem de Sônia Braga, em breve exporá suas obras na galeria de Olívia (Ana Paula Arósio). A partir daí o público vai se familiarizar com as artes plásticas, representadas, na realidade, pelas esculturas de Sandra Guingle.

Há anos que Manoel Carlos ensaia esta salada artística. Em Laços de Família (2000) o autor já havia explorado este universo através da livraria de Miguel, personagem de Tony Ramos. Além disso, a maioria de suas personagens carrega vasto conhecimento, o que possibilita diálogos inteligentes enriquecidos por poemas e ilustres citações.

Mais uma possibilidade dentro da telenovela. Um canal que merece atenção mas que, assim como Merchandising Social, corre o risco de ser entupido pelos excessos. Glória Perez que não nos ouça...

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11 de setembro de 2006 02:06


CINCO ANOS EM CINQÜENTA MINUTOS

Crianças crescidas, casais separados, relações estagnadas. A copa do penta completou quatro anos. O atentado às torres gêmeas, cinco. E nesse meio tempo, morreu o marido da Márcia (Helena Ranaldi).

O salto temporal, que aconteceu há pouco mais de duas semanas em Páginas da Vida, foi atrasado pelo sucesso da primeira fase. Só agora, no início do terceiro mês da novela, alguns núcleos começaram a aparecer.

Sônia Braga, eterna Gabriela e inesquecível Júlia Matos, agora é Tônia Werneck, conceituada artista plástica que presenciou a queda do World Trade Center. A cena, uma das mais realistas até então, marcou em grande estilo o retorno da veterana.

A tão aguardada estréia de Renata Sorrah finalmente foi ao ar. Interpretando uma promotora, e não a juíza que a sinopse previa, a ex-Nazaré de cara mostrou a que veio. Entre ameaças e problemas domésticos, sua personagem tem de tudo para se tornar um dos pontos altos da trama. Só perde por contracenar com o ainda vazio Rafael Almeida.

O núcleo de Ana (Débora Evelyn) e Miroel (Ângelo Antônio) está mais maduro, pronto para falar de bulimia sem pesar no moralismo. Resta saber se Pérola Faria segurará Giselle tão bem quanto a jovem Rachel de Queiroz segurou.

Ponto negativo é o romance de Jorge e Simone. O contexto que uniu as personagens de Thiago Lacerda e Christine Fernandes já é fantasioso. A velocidade com que o namoro engatou, então, é inverossímil. Um relacionamento como este, na realidade, não duraria nem dois meses. Para não causar esse estranhamento, a direção deveria explorar a paixão com mais naturalidade, sem os olhares e excessos que poluem o casal.

Seja na primeira fase, seja na segunda, o auge de Páginas da Vida é a dupla Lília Cabral e Marcos Caruso. Ela, uma bem delineada vilã. Ele, um perfeito contraponto as suas maldades. Química como essa é rara.

É fato. Manoel Carlos soube avançar o tempo de sua novela sem deixar pendências e especulações no ar. A trama fluiu, as personagens não se perderam. Agora é torcer para que essa verdade valha até o capítulo derradeiro.

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29 de agosto de 2006 01:54


ESPÍRITOS E FLASHBACKS

O poder do autor sobre a personagem é relativo. Começa na elaboração da história e pode terminar antes mesmo da estréia da novela. São diversos os ruídos que interferem nessa relação. Direção, público, ator escalado, desenvolvimento da história. E nem sempre o rumo planejado consegue se cumprir.

Manoel Carlos planejou a morte de Nanda para o final da primeira fase de Páginas da Vida. Não esperava o sucesso que a personagem alcançaria. A atriz Fernanda Vasconcelos caiu nas graças do público e a morte da menina foi amplamente questionada. Mas Maneco não cedeu.

Não cedeu, mas também não abriu mão. Quem assistiu aos capítulos que seguiram o acidente de Nanda viu a menina voltar em forma de espírito para confortar o pai e amparar os filhos recém nascidos. A velha tática de manter a personagem no ar mesmo depois de morta.

Recentemente, em Prova de Amor, Thiago Santiago resolveu matar o vilão Lopo (Leonardo Vieira). Promoveu um "quem matou?", instigou a audiência e conseguiu espichar ainda mais a já desgastada novela da Record. Mas não quis dar férias a Vieira. E Lopo virou um espírito do mal que mais ridicularizou que assustou.

Flashback é também uma forma de manter um ator no ar. Qual sua ligação com aquela figura misteriosa? O que ele diria sobre isso? O que ela pensava mesmo? É o recurso que Silvio de Abreu utilizou em Belíssima (2005) para manter Bia Falcão na tela enquanto Fernanda Montenegro não voltava à cena.

Silvio de Abreu é mestre em ressucitar suas criações. Em A Próxima Vítima, Francesca Ferreto (Teresa Rachel), morta nas primeiras semanas da história, reapareceu viva para elucidar os assassinatos que alimentavam a trama. O mesmo aconteceu com a personagem de Juca de Oliveira em Torre de Babel (1998). Silvio é também um entusiasta da idéia de reaproveitar personagens. Reeditou Dona Armênia, de Rainha da Sucata (1990), em Deus nos Acuda (1992) e Jamanta, de Torre de Babel, em Belíssima.

A simpatia do público por um ator pode transcender uma atração. Em 1993, o sucesso de Patrícia França e Leonardo Vieira em Renascer chamou a atenção da alta cúpula da Globo. Resultado: foram encaminhados para o horário das seis e estrelaram Sonho Meu. O mesmo aconteceu com Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis em 1998. Destaques de Por Amor, viraram protagonistas do remake de Pecado Capital.

A verdade é que não é fácil eliminar uma personagem. Ainda mais uma personagem de sucesso. Mas o show não pode parar. Mesmo que para isso a história de Lázaro tenha que ser reeditada...

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07 de agosto de 2006 20:22


SADISMO DE AUTOR

A morte de Nanda (Fernanda Vasconcelos) em Páginas da Vida parou o Brasil na semana passada. Os picos de audiência comprovam: a morte de uma personagem popular ainda é garantia de sucesso para qualquer telenovela.

Sinopse à parte, o falecimento de Nanda é sadismo do autor, Manoel Carlos. Mantê-la respirando não alteraria o impacto da obra. Muito pelo contrário. Estimularia novos caminhos. Marta (Lília Cabral) mentiria sobre a sobrevivência da neta e a menina acabaria da mesma maneira nos braços de Helena (Regina Duarte).

Não. Não estou defendendo a personagem. Muito menos estimulando o coro dos sentimentais. Não há nada de errado na escolha de Manoel Carlos. História é história e o autor é mesmo um "Deus" que pode e deve fazer o que bem entender dentro do universo que criou. A função deste texto não é criticar. Mas sim apontar o sadismo (no bom sentido) dos autores que adoram retratar uma boa desgraça.

Páginas da Vida não é o primeiro gesto sádico de Maneco. Em Mulheres Apaixonadas (2003) ele matou Fred (Pedro Furtado), um jovem apaixonado por sua professora, num acidente de carro com seu maior rival, Marcos (Dan Stulbach). Este último antes da tragédia espancava sua esposa, Raquel (Helena Ranaldi), com uma raquete de tênis. A cada raquetada mais subia a audiência.

Em Torre de Babel (1998), Silvio de Abreu exagerou no realismo e chocou o telespectador fazendo Marcelo Antony morrer de overdose dias depois de traficantes terem invadido a casa de Tarcísio Meira e Glória Menezes. Era pura ficção, mas nem as tragédias anunciadas minutos antes no Jornal Nacional conseguiram comover tanto. Silvio teve que maneirar.

Seria horrível se não fosse romântico. Em Alma Gêmea (2005) Walcyr Carrasco assassinou o casal de protagonistas vividos por Priscila Fantim e Eduardo Moscovis e fez a vilã, Flávia Alessandra, ser raptada pelo demônio. Os apaixonados caminharam de mãos dadas pela eternidade em um dos mais lindos desfechos da telenovela brasileira.

Três recentes exemplos em meio a tantos. Nessa brincadeira de ser Deus, é natural que os autores joguem com a vida de suas personagens. O problema é quando a brincadeira passa do limite e vira piada. Aí não é sadismo. É erro mesmo...

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24 de julho de 2006 22:59


A ESTRÉIA DE PÁGINAS DA VIDA

O Leblon está em alta. Manoel Carlos voltou ao horário nobre da Globo com Páginas da Vida, novela das oito lançada sob polêmicas e expectativas. A obra ganhou os jornais quando a prefeitura do Rio de Janeiro tentou vetar a gravação de um arrastão na praia. O gesto, que remete à parte nada saudosa dos anos 70, garantiu bons índices de audiência logo na estréia.

Os primeiros sete capítulos giraram basicamente em torno de sexo. Quem não estava praticando discursava com suspiros sobre o assunto. Stripteases, traições e lingeries engoliram o lado poético das tomadas tomjobinianas do diretor Jayme Monjardim, deixando o público boquiaberto. O clímax deu-se no depoimento de uma senhora que encerrou o capítulo do dia 15 aconselhando as telespectadoras a se masturbarem.

Aí acalmou. As tramas ganharam espaço, a morte da personagem de Glória Menezes inaugurou o traço dramático da novela e o público pôde começar a entender as funções de cada papel. Mas ainda falta. O ritmo lento atrasou a catarse do telespectador com as personagens.

A exemplo do que aconteceu em América (2005), Jayme Monjardim não encontrou uma boa tônica para a direção de elenco. Os atores estão over. Exageram nos trejeitos e nas expressões, prejudicando a naturalidade exigida pelos diálogos de Manoel Carlos. Ana Paula Arósio e Tarcísio Meira são os que mais sofrem com os excessos. Suas falas estão discursadas demais para quem passa o dia conversando com a família e com os amigos. Falta intimidade.

Marcos Caruso merece destaque. A cena em que sua personagem recepcionou a filha grávida no aeroporto foi antológica, superando todas as cartadas dramáticas até então apresentadas. A mescla de susto e ternura expressa no olhar do ator foi excepcional.

Natália do Valle encontrou rápido sua personagem, a fogosa Carmem. Voluptuosa e com boas doses de excentricidade, Carmem é um retrato de sensualidade, engolindo até mesmo o já tradicional garanhão José Mayer. O ator, que em Laços de Família arregimentou uma legião de fãs ensandecidas, desta vez recebeu um papel ingrato. A função de Greg na trama é transpirar sexo. E nada mais.

O que falta em Páginas da Vida é força. A preocupação com as polêmicas sobrepôs-se a trama. As personagens estão perdidas e o público é mais guiado pela expectativa do que pela novela em si.
A vantagem é ouvir os bem construídos diálogos de Manoel Carlos, só prejudicados pelos popularescos depoimentos que encerram cada capítulo.

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10 de julho de 2006 05:27


O FINAL DE BELÍSSIMA

Depois de meses de suspense, chegou ao fim Belíssima, novela de Sílvio de Abreu que garantiu excelentes índices de audiência para o horário nobre da TV Globo. O romance com pitadas policiais lançou ao telespectador a expectativa de um plano mirabolante e indecifrável que fazia vítima a protagonista Júlia (Glória Pires).

A tão aguardada revelação, o nome do manipulador, jogou um balde de água fria no público. Bia Falcão (Fernanda Montenegro), de vilania pública e notória e cujas más intenções sempre estiveram em evidência, assumiu a identidade do criminoso. Ou seja: nunca houve mistério.

Dias antes da exibição do capítulo derradeiro, Sílvio de Abreu declarou no programa de Fausto Silva: "Quando criei a trama de Belíssima achei o final muito óbvio. Por isso tive que complicar o desenvolvimento para confundir o telespectador". Ali Abreu entregou seu maior equívoco. Poluir a novela com atitudes e olhares misteriosos não tornaram o desfecho mais interessante. Ao contrário. Foi frustrante.

A idéia de traçar caráteres dúbios para todas as personagens comprometeu algumas composições. O amável Nikos (Tony Ramos) foi por vezes questionado, o simpático Gigi (Pedro Paulo Rangel) ganhou ares de falso e o bom vivant Alberto (Alexandre Borges) ameaçou revelar-se um bandido. São alguns dos muitos problemas gerados pelo acúmulo de pistas falsas.

Vitória (Cláudia Abreu) ser filha de Bia e Murat (Lima Duarte, impecável ao lado de Irene Ravache) foi um contraponto à decepção. O incesto cometido pela heroína (que casou-se com o sobrinho) e a teia que se estabeleceu entre os destinos dela e de Bia reavivaram o conceito folhetinesco da obra.

Bia Falcão... A megera que se deu bem. Acabou com o garotão bebendo champagne em Paris. Impune e longe dos que maltratou. Reflexo dos anseios do público que torce e vibra pelos crápulas. Boa percepção do autor.

Destaque merecem Carmem Verônica e Íris Bruzzi, as vedetes Mary Montillla e Guida Guevara. As atrizes deram um show à parte com bom humor e inteligência, coisas que não faltaram no texto de Sílvio. Que o diga Reinaldo Gianecchini e Cláudia Raia (Pascoal e Safira). O desabamento da oficina mecânica que entregou o romance dos dois à vizinhança foi antológico.

Vingando-se do trágico destino que foi obrigado a impor ao casal de lésbicas de Torre de Babel (1998), Sílvio de Abreu fez de Rebeca (Carolina Ferraz) e Karen (Mônica Torres) duas amantes. A sugestão foi válida, mas cabia a ousadia do beijo.

Belíssima termina como uma novela marcante. Entreteu e divertiu com bom gosto e sensibilidade. Um belo romance. E esqueçamos o policial...

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28 de junho de 2006 05:17


CRISTAL

Na expectativa de deter o avanço da teledramaturgia da Record, o SBT investiu pesado em CrIstal, novela de Anamaria Nunes dirigida por Herval Rossano. Tudo bem, a novela não é de Anamaria Nunes, é um enlatado recauchutado. Mas o investimento foi mesmo alto.

Para popularizar o dramalhão, Dado Dolabella canta na abertura e protagoniza o texto. É difícil apontar em qual caso o desempenho do garotão é pior. Se na abertura agride os ouvidos do público, em cena agride o trabalho dos colegas, a maioria nivelados a ele. Uma evidente gafe da direção.

Verdade seja dita: CrIstal estreou bem. Não surpreendeu, mas também não decepcionou. Os primeiros capítulos traçaram uma proposta tipicamente folhetinesca e com boas possibilidades de desenvolvimento. Mas caiu no comum. As personagens se revelaram desinteressantes e o desenrolar da trama explicitou um marasmo de repetições. Nada novo, nada instigante. Mais um made in Mexico de Sílvio Santos.

Quando revitalizou a dramaturgia da Record, Herval Rossano partiu de um bom título para assegurar suas apostas. Escolheu um clássico da literatura brasileira já renomado na telenovela: A Escrava Isaura. Cometeu alguns deslizes no elenco, pecou em algumas ações, mas embasou-se em um bom enredo para prender o público e dirigir com tranqüilidade. Ao chegar no SBT, Rossano encontrou um enlatado cheio de falhas em pré-produção. Mexeu e remexeu em tudo. Menos no roteiro. Plantou em terreno infértil. Não poderia ter dado certo.

A direção da emissora já se manifestou ante os irrisórios cinco pontos de audiência. Se em dois meses a trama não decolar, ou corta custos ou muda o horário de exibição. Típica medida de desespero. Não se consolida um departamento de dramaturgia em uma única novela (vide a Record que antes do sucesso apresentou Metamorphoses).

É curioso perceber que o SBT não estuda seus investimentos. Qualquer análise indicaria que falta texto à emissora paulista. Amargou o fiasco de Os Ricos Também Choram (2005) e comemorou o sucesso de Éramos Seis (1994). Preocupa-se com Cristal e já atingiu o auge com As Pupilas do Senhor Reitor (1994). Este é o ponto. Não se investe mais em boas histórias.

Não é difícil imaginar qual será a substituta de CrIstal. Provavelmente mais uma trama sem brilho com nome de pedra preciosa. Um enlatado que manterá a audiência baixa ou medíocre. A Record agradece...

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12 de junho de 2006 21:07


HOLOFOTES NO ESTÁDIO

Não se fala em outra coisa. A Alemanha verde e amarela é o foco de nove em cada dez programas das mais variadas emissoras brasileiras. Propaganda enganosa superada pelo patriotismo do futebol.

O surto já é conhecido. A cada quatro anos um país recebe toneladas de repórteres e torcedores emocionados com Ronaldinhos e cia. Qualquer indício da bandeira brasileira já é motivo para clamar o favoritismo da seleção. Qualquer gringo falando português é sinal do imperialismo da nação canarinho.

Fátima Bernardes, ícone do mundial de 2002, mais uma vez é a aposta da Globo para seduzir o telespectador. Ela e os gritos de Galvão Bueno aproximam o público das partidas e dos bastidores do campeonato. Enquanto isso, as emissoras que não conseguiram os direitos de exibição comentam os lances e especulam as trágicas bolhas nos pés dos jogadores.

Dia de jogo vira feriado. Telões espalhados pelas principais cidades do país reúnem milhares de torcedores, balões e cornetas insuportáveis. É o povo vibrando com o esporte às vésperas de mais uma (provavelmente) trágica eleição. O que importa é o gol.

Moralismos à parte, a Copa é sim um dos maiores espetáculos do planeta. É o momento em que o globo esquece seus problemas em uma saudável disputa pelo poder onde Brasil e Argentina são potências, os Estados Unidos não são tão fortes assim e a Costa do Marfim desperta curiosidade em todos.

A programação da TV fica maleável. Os programas de humor desgastam o tema, os jornalísticos esmiúçam detalhes. Surge uma colônia croata em plena São Paulo para estimular a rivalidade do jogo. O Brás e o Bixiga se dividem entre Brasil e Itália. O espetáculo do gramado ganha projeção incalculável.

A verdade é que a Copa do Mundo é um delicioso mal necessário. Uma guerra mundial pacífica que fortalece o nacionalismo e cresce o orgulho do brasileiro. Brasileiro que agora sabe o que significa "hexacampeão" e está louco para saber como chama o que vem depois.

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29 de maio de 2006 20:43


A RETA FINAL DE PROVA DE AMOR

Nas próximas semanas Prova de Amor, novela da Record, começa a caminhar para seu desfecho. Estreada em outubro passado e espichada em dois meses, a trama de Thiago Santiago superou todas as expectativas e abalou até mesmo a sólida audiência do Jornal Nacional.

O sucesso de Prova de Amor por muito tempo foi apontado como conseqüência do fiasco de Bang Bang, então trama das 7 da Globo. O susto veio quando Cobras e Lagartos falhou. O público queria mesmo assistir a novela da Record.

À parte das críticas e dos números, o fato é que Prova de Amor ganhou pela sedução. A história é envolvente, as personagens carismáticas. O enredo é batido, mas funciona ao apelar para os mais básicos trunfos do folhetim: amores impossíveis, crianças desaparecidas e um vilão capaz de tudo.

O elenco merece atenção. Em sua maioria, atores bem centrados dentro de suas composições. Marcelo Serrado e Lavínia Vlasak, os protagonistas, conseguem manter o entretecho central crível. Aplausos também merecem Cláudia Alencar e Esther Góes, dois alicerces dos núcleos paralelos. Os defeitos ficam por conta de Théo Becker e Fernanda Nobre, jovens vindos de A Escrava Isaura que ainda não amadureceram.

Um dos males do texto de Thiago Santiago é a prolixidade. Cenas enormes esmiúçam assuntos e levam os diálogos ao desgaste. Seja um mal feito merchandising social sobre uma campanha de vacinação, seja uma discussão inócua sobre a racionalidade de um bebê, as cenas vão além do necessário, deixando no ar uma sensação de vazio... E alguns bocejos...

Inspirado nos ataques que São Paulo sofreu semanas atrás, Thiago Santiago planeja esquentar a briga entre policiais e bandidos na novela. Com isso, além de aumentar as cenas de ação (apontadas como ponto alto da trama) o autor ainda sustenta a saga do vilão Lopo (Leonardo Vieira) até o capítulo derradeiro, uma vez que os conflitos iniciais já foram resolvidos.

Mesmo com falhas, Prova de Amor já pode ser considerada um sucesso. Abalou a concorrência e solidificou a teledramaturgia da Record, expandindo o mercado e dando opções para o público noveleiro.

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20 de maio de 2006 05:20


A VOLTA DE BIA

Como quem tivesse saído as compras, Bia chega em sua mansão reclamando da ineficiência da empregada. O Brasil pára diante da TV. A grande vilã de Fernanda
Montenegro está de volta a novela das oito.

Foram quatro meses de mistério e expectativa. Teria Bia de fato morrido no acidente assistido por sua neta ou estaria o autor, Silvio de Abreu, brincando com a imaginação de seu público? Venceu a segunda opção. E não pela primeira vez.

Em 1995, quando escrevia o mega sucesso A Próxima Vitima, Silvio de Abreu já anunciava que nem todas as personagens mortas, mortas de fato estariam. E, no
último capitulo, Francesca Ferreto (Tereza Rachel) "ressuscitou" para elucidar os assassinatos que moviam a obra policial.

A história se repetiu em 1998. O shopping que servia de cenário para a novela Torre de Babel foi pelos ares com diversas vítimas. Uma delas, personagem de Juca de
Oliveira, voltou para apontar o responsável pela explosão. Mais uma de Silvio.

O mistério de Belíssima é diferente dos anteriores. O publico não busca um serial killer ou um psicopata. A dúvida gira em torno de um plano armado para prejudicar a protagonista. O alvo dos curiosos é o gênio que articula este jogo.

A sinopse lembra Deus nos Acuda (1992), do mesmo autor. Lá, uma organização criminosa envolvia as personagens e deixava boa parte do elenco com ares suspeitos. O líder se escondia sob o pseudônimo "Leão" que, na verdade, era uma leoa vivida por Marieta Severo.

A volta de Bia Falcão é mais um golpe do mestre Silvio de Abreu para seduzir seu público. Até o final de Belíssima muitas reviravoltas devem surpreender os telespectadores e consagrar a novela das oito como mais um sucesso do enigmático escritor.

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01 de maio de 2006 23:27


"DEFEITOS" ESPECIAIS

Nos anos 80 uma onda tecnológica passou pelas telenovelas. A TV usou e abusou da linguagem clipada e dos grandes efeitos de edição. Quase 20 anos depois, o erro se repete. Estamos falando de Sinhá Moça, novela das seis da Rede Globo que, desde sua estréia, utiliza um software sobre as imagens para dar um ar cinematográfico à produção.

Não é novidade para o público que os textos de Benedito Ruy Barbosa seguem um ritmo lento. Basta nos lembrarmos de Terra Nostra (1999) e Esperança (2002). As histórias pedem takes paisagísticos e atores mais compenetrados. Talvez seja por isso que a alta cúpula da emissora resolveu escolher uma obra de Benedito para testar o tal recurso. Foi mais que infeliz. O lento tornou-se monótono.

Em determinados momentos, o público tem a sensação de que os atores estão se movendo em câmera lenta. Soa patético, especialmente quando o "defeito" tira o foco das personagens mais distantes da lente. E a direção insiste em trabalhar com planos mais abertos. Nada contra a modernização do gênero. Inovar é preciso. Mas é necessária uma dosagem que evite o vexame.

O processo de modernização da telenovela, ocorrido entre no final dos anos 60 e o início dos anos 70, pouco teve a ver com tecnologia. O diferencial veio pela concepção. Roteiros mais realistas, direções mais ousadas. Era a época de Beto Rockfeller e Véu de Noiva. De lá pra cá, pouca coisa mudou. Se a década de 70 foi um grande laboratório, as décadas seguintes foram meros repetecos. Sem coragem de arriscar (a audiência já falava mais alto), as emissoras mantiveram a linha de criação e buscaram alternativas técnicas.

O maior exemplo foi Metamorphoses (2003). A super produção digital da Record apresentou um roteiro pífio e, logo na primeira semana, despertou a repulsa do público. O mesmo não ocorreu com Sinhá Moça, já que o folhetim prende pelo conteúdo e supera a estranheza.

É evidente que a melhora da qualidade da imagem é necessária. Não reclamamos o avanço, reclamamos a perfumaria, os adornos que nada acrescentam e, como ocorre na atual novela das seis, estragam o que era para ser bom.

Torçamos para que esse surto cibernético acabe e dê espaço para inovações mais profundas. Imagem diferenciada não é sinônimo de qualidade.

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18 de abril de 2006 21:59


O FINAL DE BANG BANG

Quando estreou em setembro do ano passado, Bang Bang, novela de Mário Prata, prometia grande uma inovação no gênero. Ambientada no Velho Oeste, a trama que seria veiculada pela Manchete nos anos 80 atraiu muitos curiosos e entusiastas do tema.

Bang Bang exibe nesta semana seu capítulo derradeiro. No balanço final, muitos erros, decepções e fracassos. Apontada como responsável pelo crescimento da Record e pela queda da audiência do Jornal Nacional, a novela finalizada por Carlos Lombardi desanimou os telespectadores.

Especialistas atribuíram o insucesso à ambientação, aos nomes estrangeiros das personagens, à estética e aos figurinos inusitados. Desculpas esfarrapadas. Todos estes elementos foram utilizados com grande êxito por Cassiano Gabus Mendes em Que Rei Sou Eu? (1989).

A crítica também condenou a falta de ligação entre os núcleos, problemática que teria deixado as personagens soltas em esquetes e sem uma teia folhetinesca. Outro equívoco. Em Da Cor do Pecado (2004), João Emanuel Carneiro desconectou seus núcleos e mesmo assim manteve a unidade da obra.

A grande verdade é que faltou texto em Bang Bang. As personagens, vazias e superficiais, não conseguiram criar empatia com o público. Especialmente os protagonistas Ben (Bruno Garcia) e Diana (Fernanda Lima). Ben, muito seco, não tinha o brilho dos heróis. Diana, sem sensualidade, sofreu com a errônea escalação da modelo Fernanda Lima.

Com tendinite e princípio de osteoporose, Mário Prata abandonou a novela por volta do capítulo 30. Seus colaboradores tentaram manter o pique da trama que, cada vez mais sem ritmo, foi resgatada por Carlos Lombardi. Consagrado por títulos como Bebê a Bordo (1988) e Quatro Por Quatro (1994), Lombardi aumentou o humor da novela e redesenhou algumas personagens. Mexeu no caráter dos protagonistas e convidou atores de sua confiança (Nair Belo, Betty Lago e Marcos Pasquim) para complementar as alterações. Conseguiu uma singela melhora.

Mesmo com tantas intempéries, é injusto declarar que Bang Bang não valeu a pena. O simples fato de ter saído do lugar comum já faz da obra um importante passo na teledramaturgia. Além disso, interpretações como as de Mauro Mendonça, Ney Latorraca e Joana Fomm serviram de alicerce para os pontos positivos da trama.

Sucesso ou fiasco, o fato é que Bang Bang abriu bons debates. Discutiu novos rumos, sinalizou para possíveis exageros. E neste panorama o público abandona a fictícia cidade de Albuquerque com os mal resolvidos fantasmas da audiência.

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04 de abril de 2006 19:08


ATORES POR STATUS

Não param de crescer os cursos livres e profissionais de teatro em São Paulo. Com preços para todos os bolsos, estes cursos prometem desde a quebra na timidez até uma formação séria para futuros artistas.

Dos muitos estabelecimentos, poucos acabam por merecer o timbre da seriedade. Não pela proposta, mas pela freqüência. Grande parte dos alunos não busca conhecimento, mas sim o suposto glamour da carreira. Vislumbram uma oportunidade na Globo sem compreender o real sentido da profissão.

O verdadeiro ator baseia-se em dois grandes alicerces: conhecimento e sensibilidade. Leitura e senso de observação são fundamentais. Entender a estética teatral, a estrutura de um bom texto, o conteúdo de uma composição e o contexto em questão são passos ignorados por esta legião que sonha com capas de revista e entrevistas ao Vídeo Show.

Cabe aqui uma ressalva. Nada, absolutamente nada contra globais. Não esqueçamos que é nos corredores do Projac que encontramos monstros sagrados como Fernanda Montenegro, Lima Duarte e Tony Ramos. A crítica aqui vai à juventude representada por Paulos Vilhenas e Dados Dolabellas que se dizem "intuitivos" e desprezam os valores mais essenciais da arte. Estes "modelos da nova geração" banalizam a profissão e iludem as massas desinformadas.

Se antes integrar uma companhia de teatro era símbolo de marginalização, hoje é status. Ser ator é estar na moda, é ser popular. Enquanto os verdadeiros artistas apanham das leis de incentivo e dos patrocinadores (infelizmente em extinção), esta juventude transviada fuma e se droga sem conhecer Stanislavski ou compreender Brecht.

Em meio a este circo salvam-se as exceções. Adolescentes que se afogam nos estudos e sabem que o teatro vai muito além das orgias Dionisíacas. Nestes depositamos a esperança de uma nova geração de talentos.

O crescimento da Record, a expansão da teledramaturgia da Band e as investidas do SBT aumentaram as oportunidades. Ao invés de três, temos agora sete novelas no ar com elenco nacional. A notícia é boa, desde que respeitem o telespectador com intérpretes de palco, e não de passarela.

Roupas exóticas, cigarros de maconha, porres de vodca. Cortina de fumaça que esconde a falta de preparo de jovens que vêem na carreira de ator o grito para uma liberdade sufocada. E Shakespeare que se dane...

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20 de março de 2006 19:35


O FINAL DE ALMA GÊMEA

Semana passada Walcyr Carrasco colocou um ponto final em Alma Gêmea, novela da Globo que bateu recordes de audiência no horário das seis.

Serena e Rafael, personagens de Priscila Fantin e Eduardo Moscovis, caminharam de mãos dadas rumo ao infinito enquanto a vilã, Cristina, (Flávia Alessandra) foi levada pelo demônio para dentro do espelho. Fantasioso? Sim, mas totalmente condizente com o universo criado pelo autor.

A onda realista que invadiu a TV nos últimos tempos, provavelmente por influência dos reality shows, condicionou o público as histórias cotidianistas, tirando o espaço do realismo fantástico e dos folhetins ilusionistas. A crítica passou a cobrar dos autores uma postura quase que documental, vetando qualquer liberdade poética ainda que compatível com o tema abordado.

Nos anos 70, em Saramandaia, Dias Gomes fazia sucesso com o coronel que soltava formigas pelo nariz e com o farmacêutico que colocava o coração pela boca. Essa linha surrealista foi seguida por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares que, nos anos 90, assinaram com êxito Pedra Sobre Pedra, Fera Ferida e A Indomada. Em 2001, enquanto escreviam Porto dos Milagres, Aguinaldo e Ricardo perceberam a crise da fantasia, aumentando a carga política da trama e colocando um ponto final neste estilo. A próxima trama de Aguinaldo já foi a urbana Senhora do Destino.

Muitos criticaram o desfecho de Alma Gêmea buscando justificativas e explicações para o que, na verdade, foi a consolidação da lenda: a história da bailarina que reencarnou em uma índia para reencontrar seu grande amor. Ou seja, criticar o final é criticar a sinopse até então elogiada.

A poesia de Walcyr só se perdeu quando, desnecessariamente, o texto saltou 20 anos. Atores mau caracterizados desfilaram no lançamento de um livro fictício que contava a história dos protagonistas. O clichê soou patético e, por pouco, não ofuscou a emoção das cenas anteriores.

Alma Gêmea teve sorte em seu elenco. Moscovis e Fantin, mesmo passando longe do excelente, conseguiram cumprir seus papéis. Já Flávia Alessandra exagerou nas caras e bocas e caiu no estereótipo. Por sorte o texto, bem afiado, segurou as perversidades da personagem.

Encerra-se um sucesso. Uma obra sem tecnologismos e modernismos que conquistou o telespectador com o que há de mais fundamental em telenovela: uma boa história para acompanhar.

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8 de março de 2006 06:24


A VIAGEM

Reestreou no último dia 13, na faixa do Vale a Pena Ver de Novo, A Viagem, novela de Ivani Ribeiro exibida em 1994 e já reprisada em 1997. Pegando carona na temática espírita, foco principal do sucesso Alma Gêmea (atual novela das seis), a segunda reapresentação da trama novamente atinge boas audiências.

A sinopse de A Viagem é aparentemente simples. Um amor nascido do ódio, vingança e muitas vítimas do destino. A originalidade está na abordagem. A espiritualidade tempera os acontecimentos por todas as óticas possíveis: vida pós a morte, telepatia, amigos imaginários, possessões. O elo entre o mundo real e o mundo dos mortos está na personagem de Cláudio Cavalcanti, Alberto, um médico espírita que explica para os leigos os fenômenos sobrenaturais que invadem a vida dos que ainda não fizeram a viagem.

A protagonista é Diná, personagem de Cristiane Torloni. Forte e temperamental, Diná passa por três grandes momentos durante a novela. Começa como a ciumenta esposa de Téo (Maurício Mattar), torna-se a romântica e apaixonada namorada de Otávio (Antônio Fagundes) e, quando morre, entra em conflito com sua própria existência, até compreender os verdadeiros valores da vida. Diná é o que podemos considerar uma protagonista completa, cheia de defeitos e qualidades que provocam pronta identificação do público.

Menos complexo mas não menos interessante, Otávio foi mais um bom momento de Antônio Fagundes na televisão. O advogado constrói-se a partir de uma bem resolvida estrutura familiar e de um aguçado senso de justiça. É o que podemos chamar de "homem ideal" , tendo a teimosia como único defeito. A morte de Otávio é uma das mais emocionantes passagens de A Viagem.

Guilherme Fontes teve nesta novela seu melhor momento na TV. O intérprete de Alexandre criou com perfeição um olhar malévolo que passa à câmera toda a angústia do jovem vingativo.

O contraponto à densidade do mote principal está na pensão de Sininha (Nair Belo), palco dos núcleos paralelos. Apesar das nuances cômicas, a fragilidade das personagens impede que estas sejam conduzidas com a mesma força das protagonistas. A exceção é o misterioso Mascarado, uma figura mística que nunca revela seu rosto e só se comunica através de mímica.
Muitos valores embutidos na sinopse de A Viagem vêm do original exibido pela TV Tupi em 1975. O remake de 1994, apesar de atualizado, ainda apresenta características da primeira versão. Talvez aí esteja o segredo da leveza desta que foi uma das maiores audiências do horário das sete.

Enfim uma boa escolha para o Vale a Pena Ver de Novo. Esperemos que A Viagem motive novas reapresentações de qualidade e, principalmente, que já tenham despertado saudade. Quem sabe Mulheres de Areia...

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13 de fevereiro de 2006 20:07


LÍDERES DE AUDIÊNCIA

Nas últimas semanas, a guerra pela audiência tomou proporções inesperadas. A vitória de Prova de Amor (novela da Record) sobre o Jornal Nacional (clássico da Globo) abalou as estruturas do IBOPE da grande São Paulo em um festival de polêmicas, desesperos e comemorações.

O "sumiço" dos índices que comprovariam a vitória da Record colocou em xeque a credibilidade dos números que movem a indústria televisiva do país. Para alguns falha técnica, para outros boicote, o fato é que a então inabalável força Global balançou. E balançou ainda mais depois da estréia do reformulado Jornal da Record, um assumido clone do JN.

A estratégia da Record é evidente. Quer aproximar seus padrões dos da concorrente, diminuindo a diferença estética e qualitativa das duas programações. O JR tem as mesmas cores, a mesma linguagem e a mesma dinâmica do JN que, com a ameaça da concorrente, perdeu-se em matérias insólitas e próximas da apelação.

O plano da mais antiga emissora do Brasil pode não ser o mais saudável para o telespectador, mas conseguiu cumprir sua principal meta: deixar para trás o SBT. Vencida a disputa pela vice-liderança, a Record parece rumar para uma guerra maior: a bipolarização da TV brasileira.

O fim da hegemonia do patrimônio de Roberto Marinho ainda é uma realidade distante, mas não improvável. A emissora carioca acomodou-se na condição de líder absoluta e, de alguns anos para cá, perdeu muito de seu atrevimento. Inovações de linguagem e estrutura, como as que aconteceram nos saudosos anos 70, 80 e até mesmo 90 (na crise provocada por Pantanal), foram restritas a alguns autores da teledramaturgia como Silvio de Abreu (que com João Emanuel Carneiro introduziu uma linguagem seriada na telenovela através de Da Cor do Pecado) e Gilberto Braga (que criticou a fama instantânea dentro do mesmo veículo que exibia o Big Brother Brasil). De resto, programas duvidosos como Zorra Total e Linha Direta mantiveram-se na grade sem maiores cerimônias.

O que falta na Record é originalidade. A estratégia seguida só será vitoriosa se, partindo do modelo da concorrente, for encontrado um novo padrão, uma nova estrutura. A disputa pelo primeiro lugar renderá bons frutos ao telespectador quando as opções forem distintas, quando as possibilidades forem muitas. Além de um vasto leque de conteúdo, teremos também um aumento na qualidade e na ousadia das programações. Uma concorrência à altura fará a Globo crescer ainda mais em suas produções, oferecendo ao público grandes sucessos.

Ponto a ponto. Guerra pela liderança. Tecnicismos de uma revolução que, com armas de qualidade, beneficiarão o público com informação e entretenimento.

Nesta data o site Televidere completa 3 anos, agradecendo a todos pela audiência e pela freqüência. Obrigado.

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Leandro Barbieri//
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27 de janeiro de 2006 18:57


TECNOLOGIA, EMOÇÃO E BIA FALCÃO

Foi com grande expectativa que, no último dia 19, os telespectadores da novela Belíssima aguardaram a tão divulgada morte de Bia Falcão, premiada vilã de Fernanda Montenegro. Assassinato ou armação, o sumiço de Bia deu início a uma nova fase da trama de Silvio de Abreu. Começou um mistério que envolverá todas as personagens e mobilizará o público em bolões e apostas.

Para muitos, a cena decepcionou. Uma série de efeitos especiais poluiu os takes e, por vários instantes, tornou a seqüência inverossímil. Um típico caso em que a preocupação técnica transcendeu a emoção e verteu superprodução em amostra de softwares.

Derrubar um automóvel morro abaixo não é novidade para a Globo. Em 1972, na primeira versão de Selva de Pedra, o acidente que sumiu com Simone (Regina Duarte) causou grande impacto sem quase nenhum recurso. Apenas câmeras bem posicionadas, atores bem marcados e um carro sendo sacrificado. O resultado até hoje impressiona.

No caso de Belíssima, o compromisso com o chamado "Estilo Hollywood" pesa. A necessidade de desfilar tecnologia vence o artesanal. Não basta o carro cair, tem que estar chovendo. Não basta chover, tem que ser de noite. Não basta ser de noite, tem que haver um helicóptero.

A audiência prevista para o atentado não se cumpriu. Os índices não venceram os 52 pontos da estréia. Mas o mérito do texto de Silvio de Abreu é grande. A novela conquista diariamente números considerados improváveis para um verão como o que atravessamos. Pelo visto, antes de sair para tomar um sorvete, os paulistanos vibram com as peripécias de Ornella (Vera Hotz) e com as investidas de Alberto (Alexandre Borges) em Mônica (Camila Pitanga).

Aguardemos o desenrolar dos fatos. Viva ou morta, o fato é que Bia Falcão já se imortalizou na galeria das grandes vilãs ao lado de Odete Roitmann, Branca Letícia de Barros Motta e outras megeras.

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12 de janeiro de 2006 20:18


VERDADES HISTÓRICAS E FICÇÕES

Apontada pela audiência como a minissérie de maior sucesso dos últimos tempos, JK estreou no último dia 3 com a proposta de retratar heroicamente a trajetória de Juscelino Kubitschek, o presidente ergueu no cerrado a capital do país.

Antes mesmo da exibição do primeiro capítulo, a já tradicional discussão em torno da verossimilhança começou. Historiadores e "intelectuais" apontaram a obra de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira como fantasiosa e mascarada, já que a suposta verdade histórica está sendo substituída por estória e ficção.

JK é, acima de tudo, um folhetim. Uma obra teledramatúrgica voltada para o entretenimento dos que a assistem. Visa a emoção, o sonho, a ilusão. E para que estas propostas se cumpram, é fundamental a ótica ficcionista, onde a história real é vertida para o romance.

A crítica pseudo-intelectual ignora o acima descrito, cobrando de JK uma postura didática e jornalística. Para tal existem livros e documentários, estes sim voltados para a informação e para o estudo dos fatos.

É evidente que a função social da minissérie não é nula. Os que de fato se envolverem pela trama buscarão as informações reais, estudando, ainda que sem perceberem, a história do Brasil.

Em 2003, quando ao lado de Walther Negrão assinou A Casa das Sete Mulheres, Maria Adelaide Amaral também recebeu críticas desta linha. A trama, que contava a trajetória de Bento Gonçalves e Giuseppe Garibaldi, teve suas locações escolhidas de acordo com a beleza estética que o diretor Jayme Monjardim buscava. O critério foi tido como equivocado, já que Bento e Garibaldi jamais haviam passado pelos locais selecionados. A resposta foi óbvia: estava sendo produzida uma minissérie sobre a mitologia do Rio Grande, e não uma vídeo-aula sobre a guerra dos Farrapos.

Contestações, críticas e análises equivocadas. Meros detalhes diante de obras que, com qualidade e bom gosto, consolidaram-se como grandes produtos de ficção.


NO PRÓXIMO DIA 18, AS 20HRS, ESTRÉIA NA ALLTV (WWW.ALLTV.COM.BR) O PROGRAMA TELEVIDERE, COM LEANDRO BARBIERI E NINA BRONDI. O PROGRAMA TELEVIDERE COMENTARÁ E ANALISARÁ SEMANALMENTE TELENOVELAS BRASILEIRAS QUE MARCARAM ÉPOCA, INTERAGINDO COM O INTERNAUTA E ABRINDO DEBATES.

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26 de dezembro de 2005 02:31


RETROSPECTIVA 2005

2005 foi um ano de muitas realizações na teledramaturgia brasileira. O Televidere desta quinzena destaca uma retrospectiva das principais estréias.

HOJE É DIA DE MARIA (11 de janeiro e 11 de outubro- Globo): Microssérie em duas jornadas dirigida por Luís Fernando Carvalho, encantou a crítica e o público com sua cuidadosa apuração artística.

MAD MARIA (25 de janeiro- Globo): Minissérie de Benedito Ruy Barbosa, reuniu um elenco estelar para comemorar dos 40 anos da Rede Globo.

AMÉRICA (14 de março- Globo): Polêmica novela de Glória Perez, por problemas de produção demorou para fixar-se junto ao público. Discutiu as dificuldades dos deficientes visuais através de Jatobá, personagem de Marcos Frota, e quase mostrou um relacionamento homossexual em horário nobre. O sucesso ficou por conta do casal Glauco (Edson Celulari) e Lurdinha (Cléo Pires).

FLORIBELLA (4 de abril- Band): Novela infanto-juvenil que, com êxito, marcou a volta da Band à teledramaturgia.

A LUA ME DISSE (18 de abril- Globo): "Neo chanchada pop" de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, não atingiu a audiência esperada, mas cumpriu seu papel entretendo com qualidade e bom humor.

ESSAS MULHERES (2 de maio- Record): Excelente produção de época da Rede Record que consolidou o horário de teledramaturgia lançado no ano anterior com A Escrava Isaura.

ALMA GÊMEA (20 de junho- Globo): Romance de Walcyr Carrasco consagrado pela crítica e pelo público. Delicada e bem humorada, foi apontada por muitos como a maior surpresa da Globo em 2005.

RETRATO DA LAPA (20 de junho- CNU): Produzida por jovens do Grupo Canvas, a primeira novela da TV a cabo no Brasil estreou no Canal Universitário de São Paulo dentro do programa Conexão Universitária.

OS RICOS TAMBÉM CHORAM (18 de julho- SBT): Grande promessa da emissora de Sílvio Santos, passou longe das expectativas. O sucesso da teledramaturgia do SBT foi mesmo Xica da Silva, produção da TV Manchete que reestreou em 28 de março.

UMAS & OUTRAS (14 de setembro- allTV): Primeira novela interativa da Internet mundial, Umas & Outras é uma parceria entre a allTV, a TV da Internet, e o mesmo grupo que realizou a novela Retrato da Lapa.

BANG BANG (3 de outubro- Globo): Faroeste proposto por Mário Prata, perdeu-se em sua originalidade. Talvez o maior fiasco do ano.

PROVA DE AMOR (24 de outubro- Record): Contemporânea e urbana, a obra de Tiago Santiago consagrou-se como um grande momento na teledramaturgia da Record.

BELÍSSIMA (7 de novembro- Globo): De Sílvio de Abreu, preencheu o horário das oito com inteligência, bom gosto e sucesso.

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12 de dezembro de 2005 02:54


FOFOCAS DE BASTIDORES

Silvio de Abreu, as vésperas da estréia de Belíssima, declarou ao jornal "O Estado de São Paulo": "Não me contem fofocas". O autor da trama das oito disse que evita o diz-que-me-diz dos bastidores para que questões pessoais não afetem seu roteiro. É uma sábia posição.

Em 1999 Benedito Ruy Barbosa escrevia Terra Nostra quando indignou-se com mudanças que o ator José Dumont fez em seu texto. José comparou morros cobertos de neve com flocos de sorvete, doce ainda não inventado na época em que a novela se passava. A personagem morreu. O mesmo Benedito já havia cortado, em Renascer (1993), um ator que não correspondia as suas expectativas.

Em 1997 revistas noticiaram a insatisfação de Antônio Fagundes com Atílio, sua personagem em Por Amor. O autor, Manoel Carlos, não se manifestou nem reduziu o protagonista, mas o clima foi amplamente propagado pela mídia.

Uma terceira história é a de Glória Menezes em Vira-Lata (1996). A atriz pediu para se desligar da trama que, segundo ela (e todo o público), ia de mal a pior. Suzana Vieira a substituiu. Na mesma obra o ator Ary Fontoura reclamou dos rumos de sua personagem. Nos últimos capítulos declarou: "O Carlos Lombardi (autor da novela) me deve um papel".

Fofocas e especulações acabam, mesmo que inconscientemente, abalando a confiança que o autor deposita em determinado ator. Especialmente quando as insatisfações prejudicam a interpretação, coisa que, é verdade, raramente acontece. Quem assistiu Lima Duarte em Fera Ferida (1993) jamais imaginou que o ator se incomodava com os surtos psicóticos de sua personagem, o Major Bendes.

Trágicos são os conflitos que se estabelecem entre diretores e autores. Caso recente foi o de América. Os desentendimentos de Glória Perez e Jayme Monjardim, autora e diretor, fizeram a protagonista Sol (Débora Secco) perder o tom de sua composição. Monjardim se afastou e a novela tomou um rumo completamente diferente do original. A audiência subiu, mas a coerência e a lógica da trama se perderam.

Um bom ambiente de trabalho tende a colaborar com a atmosfera da novela, crescendo o jogo do elenco e a afinidade entre direção e autor. Mesmo com problemas na audiência, A Lua Me Disse (2005) chegou ao fim com dignidade, qualidade e profissionais unidos. A harmonia salta aos olhos do telespectador e, muitas vezes, colabora com o sucesso de um projeto. Foi assim em Celebridade (2003), realização entre amigos que atingiu resultados bastantes satisfatórios.

Brigas, insatisfações, boatos. Fatores que podem ou não prejudicar a criação. Na dúvida, que se evitem as fofocas.

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28 de novembro de 2005 20:59


allTV- A TV DA INTERNET- CONQUISTA O ESSO 2005


Fundada em maio de 2002 pelo jornalista Alberto Luchetti, a allTV (www.alltv.com.br) consagrou-se como a primeira TV da Internet com 24 horas de programação ao vivo. Localizada no bairro do Paraíso, em São Paulo, a emissora conquistou ao longo de sua trajetória espectadores de diversas partes do mundo.

Mais de 80% da programação da allTV acontece na bancada de um estúdio, onde a dinâmica é pontuada pela interatividade. Dois ou mais apresentadores comentam notícias e acontecimentos com convidados e com o chat aberto aos internautas. Pela grade encontramos ainda uma boa dose de entretenimento com programas musicais, talk shows e teledramaturgia. Tudo com a marca da interatividade.

A existência de uma televisão na Internet para muitos ainda soa estranha. Consolidar a allTV foi tarefa difícil, só vencida pela força dos que acreditaram e apostaram em seu potencial. O resultado veio semana passada. A emissora conquistou o Prêmio Esso 2005, Oscar do jornalismo nacional, como "Melhor contribuição ao telejornalismo brasileiro".

Emocionado com o reconhecimento, o diretor e fundador Alberto Luchetti declarou para o "Televidere" e para o site "Comunique-se": "Como os próprios jornalistas do júri do Esso enfatizaram, a allTV é hoje a TV da geração multimídia, uma soma de tudo o que há de mais importante nas mídias tradicionais: conteúdo de jornal, agilidade e imediatismo de rádio, plástica e imagem de TV e interatividade de Internet".

Freqüentador dos chats da allTV desde sua fundação, o pesquisador Elmo Francfort vê na emissora uma quebra do tabu espectador-apresentador: "Foi uma nova forma de fazer televisão, num novo espaço, num formato que pode fazer com que o telespectador e até mesmo o apresentador pudessem se encontrar totalmente, sem ter uma "tela" no meio atrapalhando".

As declarações de Luchetti e Elmo refletem uma tendência dos veículos de comunicação: a estrutura multimídia. A influência da Internet mudou a dinâmica da televisão, acelerando as informações e fazendo com que a imagem valha tanto ou mais que a palavra. A ditadura da informação vem aos poucos se transformando em debate de idéias, colocando a resposta do público no imediato momento da notícia.

Conteúdo e interatividade. Dois pontos que, com o auxílio da tecnologia, fizeram da allTV uma premiada TV de vanguarda.

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15 de novembro de 2005 18:52


A ESTRÉIA DE BELÍSSIMA

"As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". A famosa frase de Vinícius de Moraes define o enredo de Belíssima, novela de Silvio de Abreu que tem como missão resgatar as críticas positivas à faixa das 21hrs.

Belíssima traz em seu corpo de elenco veteranos consagrados como Tony Ramos, Lima Duarte e Fernanda Montenegro. A força destes nomes garante a infra-estrutura da história que traz ainda rostos de uma provável nova safra de atores.

A discussão proposta por Silvio de Abreu é tão pertinente e metalingüística quanto a temática levantada por Gilberto Braga em Celebridade (2003).Gilberto aproveitou-se do mesmo veículo que produzia o Big Brother e tantos outros "fabricantes de artistas" para satirizar os pseudo-famosos. Silvio questiona a importância da estética em um produto tido como ditador de padrões. Dois diferentes enfoques com a mesma proposta: entreter com reflexão.

A escolha de Glória Pires para viver Júlia Assumpção, apontada pela vilã Bia Falcão como "um tipo comum" foi certeira. O figurino e a maquiagem de Glória disfarçam a exuberância sempre veiculada à imagem da atriz, deixando o público na dúvida: Bia está certa ou errada?

Odete Roitman, vilã de Beatriz Segal em Vale Tudo tem seu posto ameaçado. Ou ao menos corre o risco de ter que dividi-lo. Fernanda Montenegro esbanja crueldade na frieza de seu olhar, dando tons sarcásticos e malignos para a personagem. No contraponto está Pedro Paulo Rangel, que vive o irmão da megera. Pedro alivia o denso clima da mansão de Bia e acentua os clássicos tons bem humorados de Silvio de Abreu.

E Jamanta não morreu. Tal como fez com Dona Armênia (Aracy Balabanian) e "suas filhinhas" em Deus nos Acuda (1992), o autor dá uma sobrevida à personagem de Cacá Carvalho, sucesso de Torre de Babel (1998). Dizendo-se desmemoriado e sem maiores justificativas para seu aparecimento na nova novela, Jamanta (ao lado do Pascoal de Reinaldo Gianechini) é o auge do núcleo cômico da trama.

A mistura de culturas presente no casarão da família de Murad (Lima Duarte) é um dos charmes de Belíssima. Judeus, italianos, gregos, turcos, japoneses e nordestinos buscam uma interessante harmonia em uma espécie de microcosmo de São Paulo.

Poder, arte e bom humor. Ingredientes típicos de Silvio de Abreu que devolvem ao horário nobre o bom gosto e o requinte da novela das oito.

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31 de outubro de 2005 13:33


AS MIL FACES DE JOSÉ PAULO LANYI

Jornalista, apresentador, escritor, produtor, por vezes ator. José Paulo Lanyi é essencialmente um comunicador. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, acumula em seu currículo passagens por renomadas emissoras e participações em ousados projetos.

Colunista do site Comunique-se e membro da APCA, Lanyi circulou por redações da Globo, Bandeirantes e Manchete. Nesta última atuou como repórter-produtor do sensacionalista "Na Rota do Crime" , onde arriscou sua vida por boas reportagens: "Minha missão era dirigir os policiais, eram eles que narravam as operações. Era responsável por todos os detalhes, desde o enquadramento ao conteúdo. Era como se eu fosse um diretor de cinema ou documentarista, com base na realidade das ruas. Cobrimos várias operações, sempre em meio ao perigo de sermos visados pelos bandidos e às voltas com tiroteios em locais menos privilegiados da cidade. Em pelo menos duas ocasiões, tivemos de nos atirar no chão para não sermos baleados. Sofremos um acidente de carro. Testemunhamos o que há de pior na sociedade. Foi um grande aprendizado. Ao mesmo tempo, referendei para mim mesmo a prevenção que guardara contra esse tipo de programa que, desde o "Aqui Agora", percebera ser um desserviço. Quando aceitei fazer o "Na Rota do Crime", tinha 26 anos, portanto, menos experiência. Fosse hoje, aos 35, não teria aceitado, não teria cedido ao que já vislumbrara anos antes."- conta José Paulo.

Longe das balas e dos perigos urbanos, Lanyi descobriu-se escritor. Criou o romance-cênico, gênero que mescla peças teatrais com o tradicional romance e aventurou-se pelo teatro, assinando textos polêmicos como "Quando Dorme o Vilarejo" (Prêmio Vladmir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, 2002) e "Klaus Baumer", a história de um velho nazista que deseja implantar sua ideologia no Brasil e que, em breve, ganhará os palcos. Em 2002 participou da inauguração da allTV, pioneira televisão da Internet brasileira, onde lançou o programa Comunique-se, primeira produção a debater o jornalismo na rede com interatividade do público.

"O "Comunique-se" é um bate-papo entre jornalistas e o público. Falamos sobre as coisas do jornalismo com seriedade e descontração. São duas horas ao vivo que passam rápido. É gratificante notar o interesse e responder às perguntas dos internautas. Os próprios entrevistados apreciam essa resposta imediata do público, algo difícil nos meios tradicionais. O programa é absolutamente divertido, por vezes humorístico, e funciona bem assim. Imaginou se fôssemos sisudos e falássemos duas horas sem parar? Ninguém agüentaria tamanha presunção... A televisão convencional é um "emissor", sem que se saiba qual é a cara do "receptor". Na Internet, temos um público de carne e osso, ele também é ativo, não é um mero número de audiência."

No início do ano José Paulo Lanyi entrou para a teledramaturgia, estreando como ator em "Retrato da Lapa" , primeira telenovela da TV a cabo do Brasil. Meses depois, com a mesma equipe, assumiu a apresentação e a produção da primeira webnovela do mundo, a "Umas e Outras", na qual também arriscou-se como intérprete.

Em meio a tantos projetos e desafios, José Paulo Lanyi é o retrato do profissional que realiza-se a cada trabalho: "Só posso agradecer a Deus por fazer o que gosto, com gente de vanguarda, e de estar nos lugares certos na hora certa. É importante conhecer pessoas que abracem os nossos sonhos, o que me inspira uma profunda gratidão à Roda da Natureza"- encerra com o costumeiro sorriso no rosto.

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17 de outubro de 2005 01:54


LISA NEGRI: DAS PASSARELAS AO ESTRELATO

Era 1961. A jovem Lisa Negri trabalhava como manequim quando foi convidada por Cassiano Gabus Mendes para atuar. "Ele era louco. Eu disse que adoraria, mas que não tinha gabarito para tanto. Fiz o teste e o Cassiano falou que eu tinha de tudo para ser atriz. Eu disse que não tinha estudo para isso. Ele disse para eu estudar depois... O Cassiano era fogo" - conta a hoje consagrada atriz de cinema, teatro e TV.

A estréia de Lisa Negri na TV deu-se em 1962 nos teleteatros de Geraldo Vietri. O sucesso a levou para a minissérie "Toulouse Lautrec" e, tempos depois, para as telenovelas, onde projetou-se através do papel título de "Um Segredo na Alma de Silvana" , de Mário Lago.

A popularidade fez Lisa ser convidada para apresentar uma série de shows pelo interior do país. "Os patrocinadores locais botavam faixas. Eu chegava de avião. O show só acontecia depois da novela. Enquanto a novela não acabava o público não chegava. Teve um clube na Paraíba que, na hora que eu entrei no salão, o povo veio em minha direção. Eu estava com um vestido estampado que só não rasgaram porque os seguranças não deixaram. Uma outras vez eu entrei no palco e tava todo mundo falando. A chacrinha era geral. Eu fiquei parada no microfone em silêncio. Todos ficaram calados como uma mosca."- relembra Lisa aos risos.

Entre todos os títulos que estrelou, Lisa Negri demonstra um carinho especial por "A Ponte de Waterloo" (1967) , superprodução da TV Tupi: "Era um filme adaptado para novela. Eu vivia uma bailarina que se apaixonava por um rapaz que ia pra guerra. Então, para se manter, ela se prostituia. A ponte foi construída nos estúdios da Tupi. A novela começava com o Hélio (Souto) na ponte lembrando da história. Eles colocavam bacias grandes com papel escuro embaixo para que, quando ele olhasse, parecesse mesmo um rio. Naquele época se faziam grandes novelas, mesmo sem a tecnologia de hoje. Essa novela era minha paixão. Pena que depois se perdeu tudo."

Entre as décadas de 70 e 80, Lisa dedicou-se ao teatro. Atuou em peças como "Marido, Matriz e Filial" e "Um Edifício Chamado 200" . Fundou seu próprio espaço e deu início a hoje comum prática de levar o teatro às escolas: "Quando comecei a oferecer meus espetáculos para as escolas as pessoas ficavam meio assim. Mas aí eu levava meus álbuns , inventava uma proposta e mandava bala".

Quando viver de teatro tornou-se tarefa impossível, a atriz mudou-se para os Estados Unidos, onde viveu por oito anos como guia turística. "Não fui pra lá para viver mal e guardar dinheiro. Fui para levar uma vida" - conta.

Em 1994, já de volta ao Brasil, Lisa Negri fez uma participação em "As Pupilas do Senhor Reitor", no SBT. Foi seu último trabalho em televisão até o início deste ano quando foi convidada para atuar na webnovela "Umas & Outras" , da allTV. Esta década de afastamento, segundo a atriz, não foi bem uma opção: "Não fechei as portas. As portas que se fecharam para mim" . - sentencia com a experiência e o talento no olhar.

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03 de outubro de 2005 2:47



SAUDADES DA TV ARTESANAL

No último dia 24 a Associação Pró-TV organizou no restaurante Gigetto, em São Paulo, uma festa para os 55 anos da TV brasileira. O evento, realizado pela presidente da associação e pioneira de nossa teledramaturgia, Vida Alves, homenageou artistas que construíram a história de nossa televisão.

Em meio a tantas lembranças uma manifestação comum: a saudade da televisão do passado, da televisão artesanal. Dos tempos em que o improviso era o único recurso diante e atrás das câmeras. Para muitos dos presentes, as dificuldades alimentavam a criatividade. E não houve quem não se mostrasse preocupado com os rumos da televisão moderna. A atriz Eva Wilma, uma das homenageadas da tarde, declarou: "A TV do passado tinha mais recursos de criatividade que de tecnologia. Eu sempre digo que não podemos deixar a tecnologia atrapalhar a teledramaturgia. Dentro do entretenimento, contar uma história é coisa simples. Se enfeitar muito estraga."

Mesmo mostrando-se a favor dos avanços tecnológicos, a atriz Laura Cardoso também manifestou sua simpatia pela TV artesanal: "Tudo que fazíamos era com as mãos. Não havia a técnica que há hoje em dia. O que havia era primário. A tecnologia é maravilhosa, mas o ser humano perde com tanta técnica. Perde a espontaneidade, perde a criação. O que podia ficar bonito se feito com as mãos fica mais ou menos bonito com a tecnologia. Sou adepta, ela tem que existir, mas sou mais o ser humano trabalhando com as mãos."

A idéia de que a televisão moderna engoliu alguns valores do passado deve-se ao altíssimo grau de industrialização atingido pelo veículo. Perdeu-se muito do humanismo que envolvia as produções. "Nossa televisão era outra televisão. Não era essa televisão. Com raras exceções, note bem. Têm muitos atores novos bons, muita coisa maravilhosa. Mas tem muita coisa da qual me envergonho, infelizmente", sentencia a atriz Márcia Real.

As revoluções que modificaram a TV acabaram por transformá-la no mais forte meio de comunicação do país. Na teledramaturgia o diferencial brasileiro é evidente, como frisou o ator Tarcísio Meira: "Nossa televisão é diferente da televisão que o resto do mundo faz. A TV brasileira está sempre com propostas novas, com coisas diferentes. E a telenovela brasileira, em especial, tem muito disso. Se caracteriza por ser um teatro mesmo. Um teatro de qualidade. Um teatro popular."

A atriz Glória Menezes, outra homenageada pelo evento da Pró-TV, compartilha da mesma opinião de Tarcísio, lembrando que a televisão também torna imortal a história do próprio país: "Nossa televisão conta nossa história. Agora vai começar uma minissérie sobre Juscelino Kubitschek. Isso é história, vai ficar para que saibam quem ele foi. E muitos nem sabem como ele morreu. Eu acho importante contar a história."

O fato é que, mesmo com seus altos e baixos, a televisão brasileira merece aplausos. Tem uma trajetória de glórias (que o museu de Vida Alves luta para manter na lembrança) e obras que o mundo consagrou. Nesta constante evolução, basta que não esqueçamos destas palavras de Eva Wilma: "A televisão tem a função de ser essa janela para o mundo em termos de informação, mas também de ser o entretenimento com fantasia, poesia, imaginação e arte A câmera é uma radiografia. Ela capta seus pensamentos, seus sentimentos. Ela capta até os sentimentos mais secretos."

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19 de setembro de 2005 00:14


PEDRO ZEBALLOS - DA INFORMAÇÃO AO ENTRETENIMENTO

Nascido em Espírito Santo do Pinhal, interior de São Paulo, Pedro Zeballos dedicou sua vida ao jornalismo. Ainda menino, enviava suas crônicas para o jornal de cidade. Aos 16 anos assinou sua primeira matéria e, pouco depois, partiu para Taubaté, onde participou da fundação do Diário de Taubaté e lançou-se no rádio pela Rádio Cacique. Em 1976, na cidade de Belém, descobriu sua vocação televisiva.

"Editei um telejornal chamado "Factorama" da Rede Tupi em 1976. A gente editava em filme negativado preto & branco 16mm. Comecei bem porque nunca tinha mexido com filme e muito menos editado antes e o meu teste foi para o ar sem correções.", conta Zeballos que, em 79, descobriu-se apresentador. "Depois, entrei em 79 na TV Campinas, atual EPTV (Globo) como apresentador, passando em seguida por várias afiliadas da Globo, duas da Band e uma do SBT. De servir o cafezinho até gerenciar o departamento de jornalismo, tenho experiência em todo o espectro profissional de telejornalismo, que é a minha praia".

Mesmo considerando a TV regional um bom filão comercial, Pedro Zeballos não nega os muitos problemas que este mercado ainda apresenta no Brasil, especialmente quando o assunto é a escassez de empregos: "Quanto a o telejornalismo, o panorama nacional é lamentável. Os salários de jornalistas fora do eixo Rio-São Paulo em emissoras de TV Regionais têm uma média histórica de duzentos dólares mensais. A escassez crescente de postos de trabalho associada ao crescente número de novos profissionais jogados no mercado pela indústria do diploma, podem compor com nitidez um quadro caótico, dentro do qual, padece toda a categoria. É bom destacar que há emissoras regionais que, ao arrepio da lei, aboliram o telejornalismo local de suas programações, sem que nada tenha acontecido a elas em termos de punições por parte dos órgãos controladores ou fiscalizadores do setor".

A crise não perdoa nem mesmo os mais experientes. Zeballos, que considera-se "um veterano nessa tragédia urbana do jornalista desempregado", só enxergou novas possibilidades profissionais ao lançar-se no entretenimento. Com grande desenvoltura atua na novela "Umas & Outras", exibida semanalmente pela allTV (www.alltv.com.br). "Por um momento, em atendimento a um impulso de curiosidade pensei em fazer uma ponta na novela Umas & Outras, só para saber como seria. Mas a situação escapou do meu controle e acabei pegando um papel fixo na trama." - conta.

Mesmo estando como voluntário em sua primeira empreitada como ator, uma vez que o projeto ainda não conta com patrocínio, o jornalista vê na segunda carreira uma possibilidade de equilíbrio: "Estou adorando interpretar. Então, dentro do possível, o ofício de ator deverá, em breve, contrabalançar o de jornalista, para que eu possa garantir o mínimo suficiente para a manutenção deste corpitcho redondo de 1m75 e 130kg de peso, o que obviamente requer uma boa despesa com arroz e feijão. Revezando a arte com a informação, enquanto isso aproveito para alimentar o meu espírito também"- finaliza com o característico bom humor que o acompanha em suas diversas empreitadas.

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5 de setembro de 2005 00:35


A televisão brasileira está prestes a completar 55 anos. O Televidere começa a partir de hoje uma série de entrevistas com veteranos e profissionais desse grande veículo nacional. A cada quinzena uma nova coluna que pode também ser lida no Jornal da Liberdade de Comunicação.

A TRAJETÓRIA DE PATRÍCIA MAYO

A trajetória da atriz Patrícia Mayo confunde-se com a história de nossa televisão. Filha de Guiomar Santos e Gastão do Rego Monteiro (ela cantora lírica, ele radialista), Patrícia consagrou-se ainda na década de 60 em teleteatros, filmes e telenovelas.

Patrícia Mayo estreou na televisão com a mini-novela A Cabeçuda (1958). Anos depois, enquanto cursava secretariado, leu na revista 7 Dias na TV que o diretor Geraldo Vietri buscava uma menina com o perfil de ingênua para o programa TV de Comédia: "Cheguei na maior cara de pau, com a revistinha na mão e pedi para fazer o teste. O Vietri foi muito gentil e viu como eu estava nervosa, batemos um papo para que todas ficássemos mais tranqüilas e chamou , sabe quem? O Luiz Gustavo para ler a cena comigo. Já viu né! A tremedeira e ao mesmo tempo a empolgação de estar junto com um dos meus atores favoritos. Sem contar que ele era um pão, como se dizia naquele tempo. Na semana seguinte eu estava fazendo um teste de fotogenia com a câmera no estúdio e com o olho clínico, sabe de quem ? Do Cassiano Gabus Mendes, que era o diretor da Tupi. Fiz de novo o teste de texto, ele adorou e, dali um mês, eu estava estreando no TV de Comédia", relembra a atriz.

Os títulos que marcaram o início da carreira de Patrícia Mayo são, em sua maioria, teleteatros. Só depois vieram as telenovelas. "Quando iniciou, mais ou menos em 64, a "era mágica das novelas ", tive a felicidade de conhecer e contracenar com alguns mitos do teatro brasileiro. Foi quando trabalhei ao lado de Sérgio Cardoso na novela, O Sorriso de Helena, que foi a estréia do Sérgio, e no sucesso Antônio Maria. Fiz também Rouxinol da Galiléia com Lima Duarte e Laura Cardoso. São alguns nomes de novelas que posso citar, embora tenham sido muitas as que fiz e com diretores que me acrescentaram muito profissionalmente, como Carlos Zara, Henrique Martins e Atilio Riccó".

Em anos de carreira, Patrícia diz não ter vivenciado muitas mágoas. Apenas uma coisa a entristece: "Acho que o que me causa mais tristeza é o fato da memória dos nossos diversos núcleos de teledramaturgia, nas varias redes, ser tão pobre. Atores mais antigos, alguns mesmo pioneiros, não são chamados para trabalhos novos porque não estão na mídia".

Depois de alguns anos afastada da televisão, Patrícia Mayo voltou à teledramaturgia pelo SBT. Reestreou em Razão de Viver (1996) e, mais tarde, participou de títulos como Canavial das Paixões (2003) e Seus Olhos (2004). Atualmente protagoniza Umas & Outras, a primeira webnovela brasileira que estréia dia 14 de setembro, às 16hrs, no site www.alltv.com.br.

"Televisão é um mundo muito novo, só temos 55 anos, muitos caminhos ainda poderão ser explorados, novas idéias com certeza irão aparecer. Novas mídias poderão explorar os produtos que já conhecemos os apresentando de uma maneira mais ousada. E talvez até uma integração de mídias pode acontecer, tal como vemos agora a integração da teledramaturgia com a internet, na nossa primeira web novela. Isso é só um vislumbre do que pode vir acontecer."

Experiência, talento e persistência. Três características que fazem de Patrícia Mayo um importante nome de nossa teledramaturgia.

Aguarde, dia 19, um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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25/08/2005 22:05


EM BREVE, NO TELEVIDERE, UMA HOMENAGEM AOS 55 ANOS DA TELEVISÃO BRASILEIRA. AGUARDE.


Leandro Barbieri//
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22/08/2005 17:31


PERDAS IRREPARÁVEIS

Na última semana duas lamentáveis perdas tomaram conta da TV brasileira. Faleceram os atores Francisco Milani e Cláudio Corrêa e Castro. O primeiro, excelente humorista e dono de uma locução impecável. O segundo, ícone da teledramaturgia brasileira que, entre outras obras, atuou em Vale Tudo e Chocolate com Pimenta. Abaixo seguem-se breves linhas sobre os memoráveis momentos destes ídolos extraídos dos sites Folha On Line e Cine Click:
Milani: Nascido em São Paulo no dia 19 de novembro de 1936, Milani participou de inúmeras novelas, entre elas "Selva de Pedra" (1972), "Elas por Elas" (1982), "Barriga de Aluguel" (1990) e "Vamp" (1991). Em 1978, ele fez na Tupi "Roda de Fogo", mesmo nome de outra novela da Globo em 1986.Ainda na TV, era o chefe bravo na série "Armação Ilimitada" (1985). Como diretor, comandou o "Viva o Gordo", de Jô Soares, e outros programas humorísticos de Chico Anysio. No cinema, Milani participou do clássico "Terra em Transe" (1967) e, mais recentemente, do infantil "Eliana em Os Segredos dos Golfinhos". Como narrador, trabalhava para o "Fantástico" e, entre 1994 e 1997, foi locutor do programa "Casseta & Planeta, Urgente!". Na área de dublagem, emprestou sua voz ao protagonista do seriado "Magnum" (Tom Selleck), entre outros. Entre seus últimos trabalhos estão o personagem "Saraiva", dono do bordão "tolerância zero", no programa humorístico da Globo "Zorra Total", e o rabugento tio Juvenal, em "A Grande Família". Antes disso, viveu também Pedro Pedreira, na "Escolinha do Professor Raimundo".
Cláudio: Castro nasceu em 27 de fevereiro de 1928, no Rio de Janeiro. O ator viveu recentemente o Conde Klaus Von Burgo, na novela Chocolate com Pimenta. Durante a carreira trabalhou em mais de 20 novelas, entre elas, Dancin´ Days, A Gata Comeu, Vale Tudo, Deus Nos Acuda, O Rei do Gado e Porto dos Milagres. No cinema, Castro atuou em mais de 15 produções, destacando-se Amante Muito Louca (1973), Engraçadinha (1981), O Grande Mentecapto (1989), Tiradentes (1999) e Mauá: O Imperador e O Rei. Sua última contribuição nas telonas foi em Irmãos de Fé, de Moacyr Góes, onde interpretou Gamaliel.

Leandro Barbieri//
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12/08/2005 19:34


TROFÉU IMPRENSA

No último domingo o SBT exibiu o já tradicional Troféu Imprensa. Apresentado por Sílvio Santos, um constante vencedor da premiação, a festa reuniu os considerados melhores de 2004 diante de uma bancada de jornalistas e internautas.
A novidade deste ano foi o Troféu Internet, uma criação de SS que possibilitou a participação do grande público no antes restrito júri. O resultado foi estranho. Algumas atrações como Senhora do Destino e A Diarista ganharam duas vezes na mesma categoria. Por outro lado, algumas divergências caracterizaram as diferenças da opinião jornalística da popular. O Programa do Jô foi a escolha da Internet para melhor programa, enquanto os jurados apontaram A Diarista.
O fato é que o Troféu Imprensa 2005 acabou tendenciando pelo sucesso de mídia, e não pela qualidade do produto. Senhora do Destino teve uma repercussão excepcional, mas em termos de teledramaturgia foi infinitamente menos importante que Da Cor do Pecado, uma verdadeira revolução no gênero. O mesmo podemos dizer da vitória de José Wilker sobre Tony Ramos na categoria melhor ator. É evidente que Wilker esteve excelente na pele de Giocanni Improtta, mas a performance de Tony em Cabocla fez-se magistral com nuances trágicas em meio ao humor.
O Troféu Imprensa foi criado em 1958 pelo jornalista Plácido Manaia Nunes. Este reunia-se com colegas no Sindicato dos Jornalistas e, por meio de votação, apontava os destaques do ano. Em 1970 Sílvio Santos conquistou os direitos do evento e reformulou a premiação nos moldes do Oscar. Os primeiros vencedores do Troféu Imprensa foram Lima Duarte (melhor ator), Márcia Real (melhor atriz) e Ronald Golias e Renato Corte Real (melhores humoristas).
Tradição e seriedade em um evento de extrema importância para o meio. Esperemos uma intensificação da visão crítica do júri para que no próximo Troféu Imprensa não corramos o risco de ver América carregada de troféus.

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