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20 de março de 2006 19:35


O FINAL DE ALMA GÊMEA

Semana passada Walcyr Carrasco colocou um ponto final em Alma Gêmea, novela da Globo que bateu recordes de audiência no horário das seis.

Serena e Rafael, personagens de Priscila Fantin e Eduardo Moscovis, caminharam de mãos dadas rumo ao infinito enquanto a vilã, Cristina, (Flávia Alessandra) foi levada pelo demônio para dentro do espelho. Fantasioso? Sim, mas totalmente condizente com o universo criado pelo autor.

A onda realista que invadiu a TV nos últimos tempos, provavelmente por influência dos reality shows, condicionou o público as histórias cotidianistas, tirando o espaço do realismo fantástico e dos folhetins ilusionistas. A crítica passou a cobrar dos autores uma postura quase que documental, vetando qualquer liberdade poética ainda que compatível com o tema abordado.

Nos anos 70, em Saramandaia, Dias Gomes fazia sucesso com o coronel que soltava formigas pelo nariz e com o farmacêutico que colocava o coração pela boca. Essa linha surrealista foi seguida por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares que, nos anos 90, assinaram com êxito Pedra Sobre Pedra, Fera Ferida e A Indomada. Em 2001, enquanto escreviam Porto dos Milagres, Aguinaldo e Ricardo perceberam a crise da fantasia, aumentando a carga política da trama e colocando um ponto final neste estilo. A próxima trama de Aguinaldo já foi a urbana Senhora do Destino.

Muitos criticaram o desfecho de Alma Gêmea buscando justificativas e explicações para o que, na verdade, foi a consolidação da lenda: a história da bailarina que reencarnou em uma índia para reencontrar seu grande amor. Ou seja, criticar o final é criticar a sinopse até então elogiada.

A poesia de Walcyr só se perdeu quando, desnecessariamente, o texto saltou 20 anos. Atores mau caracterizados desfilaram no lançamento de um livro fictício que contava a história dos protagonistas. O clichê soou patético e, por pouco, não ofuscou a emoção das cenas anteriores.

Alma Gêmea teve sorte em seu elenco. Moscovis e Fantin, mesmo passando longe do excelente, conseguiram cumprir seus papéis. Já Flávia Alessandra exagerou nas caras e bocas e caiu no estereótipo. Por sorte o texto, bem afiado, segurou as perversidades da personagem.

Encerra-se um sucesso. Uma obra sem tecnologismos e modernismos que conquistou o telespectador com o que há de mais fundamental em telenovela: uma boa história para acompanhar.

Aguarde, dia 3 de abril um novo post no Televidere

Leandro Barbieri//
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"A telenovela é, sem favor nenhum ao cinema e ao teatro, o melhor produto de entretenimento desse país." (Silvio de Abreu)

FONTES:

Almanaque da TV (Rixa - Ed. Objetiva)

Memória da Telenovela Brasileira (Ismael Fernandes- Ed. Brasiliense)

Revistas: Amiga, Sétimo Céu,Contigo!, TiTiTi e Intervalo.

Nossa Senhora das Oito(Mauro Ferreira e Cleodon Coelho- Ed. Mauad)

Dicionário da TV Globo(Jorge Zahar Editor)

FOTOS: globo.com sbt.com.br